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PSIQUIATRIA & TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR | Todo Mundo é Bipolar ?

9 de julho de 2011

O Transtorno Bipolar do Humor tem sido cada vez mais comentado nos dias atuais. Até mesmo pessoas leigas em conversas informais têm dito: “- O fulano deve ser bipolar, cada hora ele está de um jeito! ”

Variações de humor ou mudanças de comportamento não são sinônimos de bipolaridade. Os seres humanos estão a todo momento sensíveis aos estímulos do ambiente e também a variações químicas normais do próprio organismo enquanto estão vivendo o seu dia-a-dia. Portanto é inevitável que o humor esteja sempre mudando.

No entanto quando poderíamos chamar estas variações de humor de Transtorno Bipolar? Primeiramente é importante frisar que geralmente há uma alteração emocional profunda e persistente no comportamento do indivíduo. O bipolar é assim chamado porque tem 2 pólos principais, um na euforia(tecnicamente chamada de Mania) e um na Depressão. Nem sempre as 2 fases ocorrem tão claramente.

O conceito de euforia geralmente é confundido com um estado de “alegria”. Na verdade se caracteriza por um estado de excesso de energia, que pode se converter em agressividade, agitação e muita impulsividade. Quadros mais graves podem apresentar comportamento sexual inadequado, questões de grandiosidade e podem incluir até mesmo sintomas psicóticos nas crises agudas. A sensação de diminuição da necessidade de sono também costuma ser marcante.

A depressão é diferente de uma tristeza momentânea ou de alguns dias, é um quadro de desânimo persistente, ás vezes acompanhado de choro fácil e pensamentos negativistas e pessimistas, chegando em alguns casos a idéias de morte.

O médico psiquiatra Dr. Akiskal recentemente propôs uma nova classificação com diversos tipos e graus de bipolaridade, o que tornaria ainda mais polêmica a generalização do Transtorno Bipolar do Humor. Esse conceito ainda não é oficialmente utilizado.

Portanto é fundamental que antes de qualquer pessoa lançar diagnósticos ao vento em meio a uma roda de bate-papo, conheça bem o que está dizendo. Até mesmo porque a pessoa a quem você se refere pode mesmo ser um bipolar e neste caso a melhor forma de lidar é levar informação e por vezes oferecer ajuda, mas nunca rotular e tratar com preconceito.

Equipe Médica Dr. Paulo André Issa

PNAP Neurociência & Psiquiatria

Cérebro & Bem Estar

Feliz 2010

23 de dezembro de 2009

Após décadas a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, resolveu criar um ¨Centro de Inteligência¨. O primeiro passo: Copiar exemplos bem sucedidos em outros países.

Quantos anos de sofrimento e quantas vidas foram desperdiçadas até se descobrir que temos algo a nosso favor: Nossa inteligência.

Esse recurso do ser humano, pode e deve ser usado, desde as relações familiares, em qualquer residência até a alta cúpula dos orgãos governamentais.

É necessário que se reconheçam e respeitem as lideranças mais capazes e inteligentes, mas principalmente precisamos contar com elas e recorrer a elas sem pudor.

O ser humano dará um grande passo rumo a sua evolução, quando entender a grande diferença entre a ¨esperteza¨ e a ¨inteligência¨. E esta diferença que parece tão pequena, tão próxima uma da outra, na verdade está em extremos opostos, muito distantes.

A confusão no uso destes conceitos em nosso dia-a-dia é o que nós traz consequências inimagináveis, em detalhes tão pequenos até os mais grandiosos de nossas vidas.

Não incentive a esperteza de seus filhos. Não seja esperto.

Seja inteligente.

A inteligência é do bem, é limpa. Ela também pode errar, mas com uma intenção sempre honesta de acertar.

A esperteza é suja e maléfica. É boicotadora e traiçoeira. Destruidora e sorrateira. E tem um custo do qual você não poderá escapar mais cedo ou bem mais tarde, ela afetará você também de alguma forma.

A inteligência depende da humildade de ouvir o outro, da capacidade de se unir e se organizar, para então podermos usá-la em seu máximo grau.

Entretanto uma conclusão é certa: Ela é sempre capaz de vencer a esperteza.

E por mais que o ¨mundo dos espertos¨ a cada dia apareça nas notícias tentando vencer e nos deixando cada vez mais desacreditados, se você é inteligente, nunca se deixará vencer pela desesperança. Porque os espertos correm de um lado, mas a inteligência os capturam do outro. Se há inteligência, a esperteza está cercada.

Não pense só no próximo ano. Pense no próximo segundo. Tenha organização e humildade. Seja superior. Aja com inteligência.

O mundo é da inteligência e não dos espertos.

Artigo Antigo Porém Atual

21 de novembro de 2009

Encontrei esse artigo jornalístico, não médico, porém interessante, no site do repórter Sidney Rezende… A data é de agosto de 2007, mas não poderia ser mais atual… vale conferir:

Cássia Kiss é bipolar. Viva a liberdade!

Marina W. | Ciência e Saúde | 04/08/2007 20:00

A capa da revista ¨Quem¨ é a atriz Cássia Kiss declarando: “Tenho bulimia e sou bipolar”. Eu poderia escrever várias coisas a respeito do seu desabafo, mas fiquei pensando: “Como eu gostaria de ler sobre isso antes, como eu queria que fosse como agora: várias pessoas dizendo que têm essa doença”. Porque nos anos 80 e 90 a onda era dançar e suar nas academias e outras coisas alegres. Então ninguém dizia nada, a ponto de eu pensar que existiam apenas duas pessoas com esse transtorno no mundo: eu e Kay Jamison.

Se diz transtorno porque não se conhece exatamente seus meandros para ser chamado de doença. Não havia meios de alguém falar que tinha depressão, tanto que eu me lembro como o ator Carlos Vereza ficou estigmatizado. “Ele é louco”, diziam, e eu pensava “Deixa eu ficar quieta no meu canto”. Com o mundo desolé, alguns começavam a admitir que tinham tido depressão. Abriu-se um espaço. Paralelo ao avanço, Selton Mello prestava um desserviço perguntando aos convidados do seu programa Tarja preta, “Quem você acha que deveria usar tarja preta?”. E o convidado sempre responde: “Todos os políticos!”. Como assim?

Chico Anysio ficou calado e se emocionou. Depois disse: “A ninguém… não sou psiquiatra”. Hoje em dia tento ver com humor coisas antes que me irritavam. Desde que não escondo que tenho uma doença, não estou nem aí. Depois que a dor passa tudo se torna diferente.

A bipolaridade está na moda e, embora seja estranho falar em moda e doença que pode matar numa mesma frase, não é ruim como aparenta. É excelente. Recebo tantos emails sobre esse assunto depois do “Diário…” (jabaculê) e mulheres esclarecidas dizem: eu não sabia que existia um nome para o que eu sinto. Um pastor se apaixonou loucamente por mim quando “eu revelei a ele o que ele tinha”. Foi divertido. O pastor: “Se Nossa Senhora existisse, seria você”. Hehe.

Recebi um torpedo de papel no restaurante de uma mulher que dizia que meu livro foi uma das coisas mais importantes da sua vida. Quem diria que eu poderia de alguma forma ajudar pessoas e que aquele dor seria de alguma maneira válida? Uma moça escreveu no email: “Sou bipolar (Ufa!)”. Creio que foi a primeira vez que ela admitia isto para alguém.

É bom estar sendo discutido porque fica muito mais fácil ter um diagnóstico certo agora que as luzes estão acesas. Fui medicada duas vezes como tendo depressão unipolar e sofria muito mais do que se não tivesse ido ao médico.

Claro que existe um oba oba. Uma vez, no bar, a menina da mesa ao lado falou: “Hoje estou muito bipolar!”. Como assim? Está eufórica? E 70% dos londrinos se dizem bipolares, o que é um número sem pé nem cabeça. Apesar dos equívocos – pessoas que ficam muito tristes e às vezes muito alegres se julgando bipolares, quando na verdade são apenas humanas – é uma sorte descobrir logo, já que a média era 10 anos para se ter o diagnóstico certo.

Quando comecei a escrever o livro não se falava sobre o assunto. E aquela atriz brasileira que mora em Nova York e tem cheiro de cravo foi capa da Revista do Globo “Como saí de uma depressão”. Uma coisa assim. No meio do livro, li uma coluna da Ana Cristina Reis, no caderno Ela: “Vc tem alguma amiga bipolar para me apresentar?”. perguntou um amigo à colunista. Aquilo realmente era inusitado. A cantora Olívia B. foi feliz ao afirmar que muitas pessoas tomam remédios controlados para evitar sentimentos próprios e (necessários) do homem: tristeza, medo, angústia. Então alerta. Acho que as tarjas pretas agora são aceitáveis porque o momento não é pra ficar rindo à toa, basta olhar em volta. O mundo está preocupado, os ursos estão se afogando.

Cássia Kiss diz na entrevista que, para ela, não esconder que é bipolar foi “transformador”; pra mim também. É uma doença bem grave, porém tratável. Não tenha vergonha do que você é.

Eu respeito muito o Roberto Carlos, que não pareceu estar preocupado com preconceito hora nenhuma. Assim que descobriu o que tinha, lendo o depoimento de Luciana Vendramini no jornal, não só revelou na TV com faz questão de manter seu público informado: “Estou cantando Negro Gato, sinal de que o tratamento está dando certo, hehe”. Rei.

Link do Artigo: http://www.sidneyrezende.com/noticia/6364+cassia+kiss+e+bipolar+viva+a+liberdade