Arquivo de junho de 2009
29 de junho de 2009
Michael Jackson estava pesando 50 quilos e abusava de analgésico semelhante a morfina.
Ele iniciaria em algumas semanas um sequência de 50 shows em Londres, repito CINQUENTA shows, com intervalo de somente 2 dias entre um e outro.
Não é possível que ninguém tenha pensado em suicídio até agora !?!
Aliás um grande tema para ser discutido: Por que as pessoas falam tão pouco em suicídio?
Você sabia que muitos suicídios não são contabilizados nas estatísticas porque se passam por acidentes de todo o tipo, como automobilísticos(pessoas que chocam seus carros contra postes, ônibus e etc…), intoxicações (com gás de cozinha ou de aquecedores de banheiros), quedas aparentemente acidentais de prédios e varandas ou até mesmo acidentes com armas como num disparo acidental.
Os suicídios não são divulgados, porque estimulariam outras ações de mesma natureza pelas pessoas, mas ao mesmo tempo, por ser um tema pouco abordado, pouco se previne também e é uma grande causa de morte no mundo todo.
Provavelmente no caso de Michael Jackson, a explicação deve ser a mesma, o medo de se falar em suicídio e dezenas de fãs cometerem o mesmo.
Pode-se até entender o motivo da pouca divulgação do tema, mas não justifica a falta de instrumentos eficazes de prevenção a este sintoma grave e fatal do comportamento humano.
26 de junho de 2009
Há algumas semanas atrás escrevi o artigo ¨Um doente no poder¨, sobre o que se faria, se uma pessoa poderosa como um presidente de um país, tivesse doente mentalmente e suas atitudes estivessem colocando em risco sua saúde e dos outros ao seu redor. (Estava me referindo ao presidente da Coréia do Norte).
Mais recentemente escrevi um artigo sobre o esposo que morreu esfaqueado pela esposa na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro e questionei: Porque as pessoas não pedem ajuda?
A morte de Michael Jackson, traz o somatório destes 2 artigos anteriores.
O ídolo pop, era milionário e poderoso, mas suas repetidas cirurgias plásticas, sugeriam o diagnóstico psiquiátrico de Transtorno Dismórfico Corporal(quando a pessoa tem uma distorção da auto-imagem), também foi falado pela imprensa a hipótese de hipocondria. Então vem a pergunta: Quem vai dizer ¨não¨ para Michael Jackson? Quem dirá ¨não pode!¨ ou ¨não vai fazer!¨? Já que em sua casa e no meio em que vive é tido como ¨Rei¨! Surgiu ainda o boato de que estaria ¨viciado¨ em analgésicos, o mesmo raciocínio se segue.
Então entra a segunda questão: Por que as pessoas não pedem ajuda? Ou melhor, muitas vezes um doente não terá discernimento ou condições emocionais para saber que precisa de ajuda, ou até mesmo não terá iniciativa para tal. Nessas horas entra o papel da família e dos amigos, alguma atitude tem que ser tomada, mesmo que as vezes a revelia. Mas e seus amigos? Seus parentes? Será que Michael Jackson, O Rei do ¨Pop¨(o popular) não tinha mais ¨amigos de verdade¨ já que se isolava do mundo?
O fato é: As pessoas precisam ser ajudadas.
As pessoas precisam ter coragem e não ter vergonha ou medo de pedir ajuda.
O bem maior, a vida, não pode estar em último plano, a preocupação com o que os outros vão dizer ou pensar, se você ou seu parente for internado em uma clínica, se uma ambulância for até a sua casa, se seu filho sair agarrado a força por enfermeiros, ou sedado em uma ambulância, qual a vergonha disso se é para salvar a vida dele? Repito: É para salvar uma vida !
É preciso pedir ajuda. É preciso pedir opinião profissional. É preciso agir.
A dores do arrependimento de não ter agido ou da lamentação da perda, trazem um sofrimento muito maior que a ¨vergonha¨ do que os outros vão dizer ou pensar.
Peça ajuda ! Peça socorro ! A vida é o nosso bem maior.
Melhor ainda: Ofereça ajuda !
23 de junho de 2009
23 de junho de 2009
Como denunciar crimes sem se identicar: (Publicado no site do ¨Jornal Nacional¨)
Você não precisa se identificar ao fazer a denúncia.
Não tenha medo, é seguro, você não será identificado.
O medo alimenta a impunidade( falta de punição).
A impunidade alimenta o crime.
23 de junho de 2009
O livro sugerido hoje chama-se ¨Cérebro Em Transformação¨ da autora Suzana Herculano Houzel, neurocientista.
O livro explica o comportamento dos adolescentes, baseado nas transformações que ocorrem em seus neurônios, neste período ás vezes confuso da vida.
Os adolescentes geralmente sofrem uma ¨crise de identidade¨: Sabem que não são mais crianças, porém não entendem bem, que também ainda não são adultos ! Afinal o que são?
Essa busca por uma identidade é explicada no livro e nos faz entender melhor os conflitos existenciais da adolescência.
Boa leitura !
21 de junho de 2009
Você deve ter ouvido falar pelo noticiário, sobre o caso da esposa que após uma noite de descontração e bebidas com os amigos, matou o marido alegando legítima defesa.
Venho comentar, para chamar a atenção, que assim como outros casos ¨famosos¨ por sua divulgação pela imprensa, ouvimos o relato de que ¨os vizinhos e amigos disseram que as brigas entre o casal eram ¨pesadas¨e ocorriam com certa frequência há algum tempo.
Aí me pergunto: O que ocorre que as pessoas não procuram ajuda?
Pessoas que têm um amor em comum e estão vendo que a relação está em risco. Procuram ajuda para consertar o carro, para desinfectar o computador, melhorar o cabelo, fazer investimentos no banco, mas por que não para salvar sua família em crise?
Quero dizer: Se existe um comportamento problemático, sofrimento, desgaste físico e psicológico, por que não querer melhorar isto?
Você já deve ter ouvido falar em Terapia de Casal ou Terapia de Familia.
Você também já deve ter visto programas na Televisão, onde terapeutas passam a acompanhar o dia-a-dia de uma família, supervisionando suas relações, seus hábitos e corrigindo-os.
Até há pouco tempo atrás o programa The Nanny era a ¨sensação¨ do momento, no ¨Fantástico¨ exibiu-se uma séria sobre jovens com dependência química e iniciou nova série acompanhando uma família em São Paulo.
Sabe o que é mais interessante desses programas? Eles funcionam.
Você vê, se surpreende e se inspira com as melhoras apresentadas. Mas por que tão pouca gente procura os terapeutas de família ou de casal?
Acredito que em grande parte por falta de informação e preconceito(claro que também por falta de condições financeiras), mas esses tipos de terapia precisam e devem ser mais divulgadas, além de estimulado o seu uso.
No caso deste casal do noticiário, dinheiro não era o problema, tinham grandes condições financeiras, eram ricos de fato.
As circunstâncias da morte do marido não estão muito claras, apesar de a opinião pública já ter escolhido a esposa como culpada e contraditoriamente também diz que a causa do crime seria que ¨ele¨ teria ¨pego¨ ela usando o computador para relacionar-se com outras pessoas, o que reforçaria a tese do advogado da esposa como legítima defesa. Mas também porque estar foragida até agora se não há culpa? Certamente para a polícia não será muito difícil desvendar o crime.
O fato é que a medicina da psiquiatria, e a psicologia, ainda são desmerecidas, estigmatizadas e tratadas com desdém. Daqui a alguns anos, ou mais provavelmente décadas, as pessoas entenderão como funcionam e para que servem esses profissionais e então perceberão que eles são combatentes na ¨linha de frente¨ não só da saúde, mas da vida.
A pergunta que fica é: Por que não pedir ajuda psicológica, ou até mesmo médica psiquiátrica se for o caso, para cuidar da sobrevivência do seu próprio amor? Da sua própria família?
Todo descaso tem um preço, nestes casos, a conta sempre, só chega algum tempo depois.
20 de junho de 2009
Informativo emitido pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção(Texto: Equipe ABDA)
A reportagem veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, representou mais uma dentre as várias matérias recentes cujo conteúdo apresenta uma percepção incorreta do Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH)
1) A ausência de pesquisadores por si só é bastante sugestiva. São entrevistados profissionais que emitem opiniões próprias, como se elas fossem representativas de sua categoria. Ao contrário do que disse um dos entrevistados, existe consenso entre médicos neurologistas, neuropediatras, pediatras e psiquiatras que o TDAH frequentemente exige tratamento medicamentoso. A opinião pessoal de um profissional, quando oposta aos demais de sua categoria profissional, aos consensos publicados na literatura científica e aos achados de pesquisa não apenas é irrelevante como potencialmente danosa. Com o advento da moderna medicina, o que um profissional “acha” sobre determinada doença ou seu tratamento não é mais relevante: é necessário consultar os resultados de pesquisas científicas realizadas por diferentes estudiosos, em diversos países, inclusive por grupos que competem entre si. O nome disto é medicina baseada em evidência e é improvável que jornalistas não conheçam isto.
2) Só há uma forma de se “averiguar” se determinada concepção é correta ou não: através de pesquisa científica publicada em revistas especializadas. Os estudos são revisados por pareceristas anônimos, também pesquisadores. Mesmo após passar pelo seu crivo os resultados, por terem sido apresentados em detalhes, podem ser criticados, novamente analisados e mesmo reproduzidos (ou não) por outros. Por outro lado, como seria possível “averiguar” a “opinião pessoal” de alguém? Será que os jornalistas realmente crêem que “achismo” é relevante?
3) Seria oportuno que os jornalistas indicassem os critérios de seleção dos entrevistados. Mas como tais critérios são obscuros, só resta ao expectador consultar se algum dos entrevistados alguma vez na vida sequer pesquisou ou publicou um artigo cientifico sobre TDAH: basta consultar o site www.lattes.cnpq.br
4) Por que não entrevistam associação de portadores, como a ABDA? Não são justamente os portadores e seus familiares os maiores interessados neste assunto?
5) Entrevistar um único indivíduo que sofreu efeitos colaterais de qualquer medicamento que seja é, na melhor das hipóteses, sinal de ignorância. Na pior delas, sinal de má fé. Os brasileiros perderam um grande nome da música popular por conta de uma anestesia. Isto significa que devemos abolir as anestesias? Um dos medicamentos mais utilizados para dor e febre, vendido sem receita médica e de uso infantil, é o acetaminofen, que muito raramente pode levar a graves complicações hepáticas (no fígado), inclusive fatais. Isto não significa que o medicamento deva ser proibido. Será que ensinam matemática nos cursos de jornalismo? Mais ainda, não sabemos sequer se a criança da reportagem de fato tinha TDAH, se foi diagnosticada por especialista e recebeu prescrição de modo correto.
6) Por ultimo, enfatizamos que existem inúmeros estudos científicos demonstrando que o TDAH, quando não tratado, se associa a várias complicações: uso de drogas, mais fracasso escolar e mais repetência, maiores índices de desemprego, maior freqüência de depressão e ansiedade, mais acidentes automobilísticos e maiores índices de divórcio.
Matérias jornalísticas têm elevado impacto na população, de modo geral. Quando seu conteúdo apresenta inverdades ou promove o medo injustificado ao tratamento de uma doença séria, faz grave desserviço ao país. Mais ainda, quando sob uma falsa maquiagem de imparcialidade apresenta visões opostas providenciando, entretanto que uma delas tenha destaque ou enorme apelo, mesmo se sabendo infundada, infringe o mais básico dos preceitos do jornalismo.
EQUIPE ABDA (www.tdah.org.br)
18 de junho de 2009
Cada dia me surpreendo mais com o número de pessoas que chegam ao consultório dizendo:
- Vim trazer meu filho para fazer uma avaliação se tem TDAH(Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade). Mas a diretora da escola disse que ¨não acredita¨ em TDAH.
Ou então: A pediatra dele disse que ¨não acredita¨ em TDAH !
Ou ainda: O pai dele ¨não acredita¨ em TDAH !!
Ou pior ainda quando dizem: A Psicóloga disse. A Fonoaudióloga disse. A Pedagoga disse que ¨não acredita¨ em TDAH !
Pelo amor de Deus: Doenças não são lendas nem crenças para terem a opção pessoal de ¨acreditar ou não¨ !!!
Você já ouviu alguém dizer: – Eu não acredito em ¨Diabetes¨?
Ou ainda: Eu não acredito em ¨Pneumonia¨?
Ou pior ainda quando dizem: Eu ¨não acredito¨ em Depressão!
Doenças só passam a existir, diagnósticos só passam a ser confirmados, após inúmeras pesquisas científicas feitas pelos melhores médicos, pesquisadores e cientistas do mundo todo! Estudam sua origem, seus sintomas, seus mecanismos físico-químicos, sua gravidade, sua evolução e depois de muitos anos, após muitos encontros da comunidade científica internacional, quando confirmada sua existência, então escolhe-se um nome ! O TDAH passou também por todo esse processo ! Assim como a tuberculose, as micoses, a miopia, a gastrite, o câncer, a osteoporose, a endometriose, a gripe ¨suína¨ e todas as outras doenças ou transtornos !!!
Remédios só podem ser usados após quase uma década(10 anos!!!) de pesquisas e experimentos que comprovem sua segurança e eficácia em seres humanos. Muito antes de irem para as farmácias, milhares de pessoas de diferentes países já tomaram os medicamentos durante anos de testes e observação.
Remédios como o Metilfenidato(Ritalina ou Concerta) já existem há décadas ! E seu uso não foi suspenso em nenhum lugar do mundo !
Portanto, doenças não são como lendas e histórias em que um acredita e o outro não. Não é como: ¨Eu acredito em gnomos e duendes, e você?¨
Quando um profissional da educação diz que ¨não acredita¨ em TDAH, está cometendo uma falta grave, um erro irresponsável e dando um grande exemplo de despreparo técnico e falta de informação científica amplamente comprovada e respaldada.
Quando um profissional de saúde, médico, psicólogo, fonoaudiólogo, pedagoga, psicomotricista, terapeuta ocupacional diz que ¨não acredita¨ em TDAH, está cometendo quase um crime de abuso de poder e calúnia, de tão grave o mal que pode estar fazendo ao destino da saúde de uma pessoa.
Portanto na dúvida:
Não basta consultar um médico ou psicólogo.
É essencial que procure um profissional experiente no assunto.
Ou melhor: Especialista em TDAH.
Um especialista não lhe diz a opinião dele somente. Ele apresenta fatos e informações científicas que comprovam o que ele está dizendo.
Dar opinião é muito fácil. Qualquer um pode falar o que quer.
Dizer: ¨Eu acho … isso¨. Ou: ¨Eu acho … aquilo.¨ Também é muito fácil.
Mas explicar o porque do que está dizendo: Só quem realmente entende do assunto: O especialista médico ou psicólogo.
Saúde e doença, não é assunto para roda de bate-papo ou conversa fiada: É assunto sério ! E deve ser conversado com responsabilidade. Se possível dentro de um consultório.
Você já ouviu alguém cometer o absurdo de dizer: Eu não acredito em TDAH?
15 de junho de 2009
¨Seja otimista todos os dias.¨
(principalmente ao acordar e ao ir dormir)
Exercite diariamente sua capacidade de enxergar alguma coisa boa até mesmo no que parece ruim.
14 de junho de 2009
Hoje venho indicar o livro: ¨Pense Magro¨ da autora Judith Beck.
Judith Beck é uma das mais renomadas psicólogas em Psicoterapia Cognitivo Comportamental(TCC). Esta técnica tem sido largamente utilizada na correção de hábitos e comportamentos disfuncionais ou prejudiciais, associada ao tratamento médico na psiquiatria. Seus consistentes resultados são inclusive comprovados através de exames de neuroimagem.
Para quem quer começar a pensar em perder peso ou reeducar seus hábitos alimentares, esta é uma grande dica. Se você não começar mudando sua cabeça, não adianta tentar nenhum outro método de emagrecimento.